Juruti tem novas capacitações na retomada do projeto Saúde na Floresta


Primeiro encontro ocorreu no dia 25 na comunidade Araçá Branco, reunindo representantes de 12 comunidades rurais, lideranças religiosas e comunitárias, e pessoas engajadas em questões locais.

O Projeto Saúde na Floresta, que tem à frente o Instituto Juruti Sustentável (IJUS), segue para uma nova etapa no município de Juruti, no oeste do Pará, dando continuidade às várias ações realizadas na primeira fase nos anos de 2020 e 2021, na época como Projeto Juruti Contra a Covid-19. No momento mais crítico da pandemia da COVID-19 (novo coronavírus), assim como em todo o mundo, Juruti trabalhou no combate ao vírus. Na época, apoiando a saúde pública, levando ainda muita informação e ajuda humanitária ao município.
O Projeto Saúde na Floresta é uma iniciativa do IJUS, com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – USAID, iniciativa de novos parceiros, ampliando parcerias em saúde NPI EXPAND, SITAWI – Finanças do Bem, e parceiros locais, como as Secretarias Municipais de Educação, Assistência Social e de Saúde.
No dia 25 de outubro, realizou-se uma oficina na comunidade Araçá Branco, reunindo representantes de 12 comunidades rurais, que levaram cada uma entre 6 e 10 lideranças, entre religiosas e comunitárias, e pessoas engajadas em questões da comunidade. Depois disso, começam as capacitações de lideranças comunitárias, na ótica de cuidados com a saúde e prevenção de doenças.
Segundo o vice-presidente do IJUS, Marcos Antônio Corrêa Matos do Amaral, que é professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) no campus Juruti, o projeto amplia sua atuação com a proposta de levar para as comunidades locais, principalmente as rurais, outros conhecimentos relacionados ao aspecto da saúde, mas mantém ainda o foco nas informações sobre risco, prevenção e consequências mais graves relacionadas à Covid-19.
Na sua análise, o risco de contaminação da Covid-19 ainda está presente, apesar de perceber que algumas pessoas continuam resistentes à vacinação ou que comunidades não têm total acesso aos métodos de prevenção. “Quando, eventualmente, as pessoas que ali habitam fazem essa movimentação para a cidade, há um risco iminente de contaminação ou de levar Covid para suas comunidades. É necessário que constantemente seja feito um trabalho de conscientização, especialmente junto aos jovens no ambiente escolar, já que retornamos às aulas”.
Ainda segundo o vice-presidente do IJUS, na região amazônica, algumas comunidades ribeirinhas, pela própria questão geográfica e pelo difícil acesso, se encontram em uma condição vulnerável; então a assistência a elas é uma busca prioritária. “Numa condição de risco, eles precisam ter rapidamente acesso ao tratamento necessário”, defende.

Frentes de atuação do projeto
Além de todo o trabalho com profissionais ligados à saúde e educação, o projeto irá atuar em frentes como a ampliação ao acesso e incentivo à vacinação contra COVID-19 e também todo o ciclo das demais vacinas importantes à saúde básica.
Uma das novidades desta nova fase do Saúde na Floresta é a produção de nove episódios de podcast, e boletins impressos, cuja primeira edição será divulgada nos próximos dias, com temáticas ligadas à pandemia no contexto de Juruti e região do Baixo Amazonas.
A produção envolve uma espécie de resumo mensal da pandemia em Juruti com olhar no projeto e suas localidades, com participação de autoridades em saúde, lideranças locais e a comunidades em um ambiente de reflexão, apontamento de desafios, recomendações, incentivos à vacinação de adultos e crianças e informações relevantes com o objetivo de esclarecer a população e fortalecer a comunicação de risco.
Marjorie Canto, diretora de Vigilância em Saúde de Juruti, afirma que neste momento deve-se continuar a atuação na prevenção de doenças. “Hoje, temos um costume de procurar uma Unidade de Saúde somente quando se está doente. Devemos procurar para prevenir problemas de saúde, não só relacionados à Covid. Devemos fazer exames de rotina e estar com eles em dia. Na nossa zona rural, a gente tem vários postos de saúde e qualquer sintoma gripal que um morador tiver, deve procurar imediatamente os postos. Pacientes que moram em lugares descobertos, devem procurar os serviços de saúde mais próximos. Se gripar, usar máscara”, alerta a gestora pública.
Nina Best, líder no país do programa NPI EXPAND na Amazônia Brasileira, uma das entidades parceiras do Saúde na Floresta, conta que observa, principalmente em decorrência da pandemia, que a região amazônica é “um grande deserto de assistência a atendimento médico e hospitalar”, tanto do ponto de vista dos recursos humanos como de equipamentos, acessos e até gestão. “Isso é extremamente problemático e a gente vivenciou isso de forma bastante dura durante a pandemia, onde a gente viu o colapso do sistema de saúde”, lembra.
Passada a pior fase da pandemia, Nina Best comenta que ela, a cada momento, nos traz algo novo. “De fato, a vacinação é a nossa principal estratégia de prevenção contra a infecção, mas ao mesmo tempo o treinamento, a capacitação, a reciclagem, cursos para agentes comunitários de saúde, agentes indígenas de saúde, pessoal que trabalha com a parte epidemiológica dentro do sistema público de saúde são fundamentais para a gente desenvolver condições para que na eventualidade de uma nova onda todos estejamos mais bem preparados para atender as demandas”, aponta.
Para ela, o que se espera de iniciativas como o Saúde na Floresta é o fortalecimento dos sistemas locais de saúde para que se consiga conquistar uma maior capacidade de resposta diante de uma nova onda de Covid na região, deixando, assim, um legado positivo.